ENCONTRO PAZ 03-03 3

Sua diplomação aconteceu no dia 15 de abril, em Florianópolis (SC), em solenidade realizada na Câmara Municipal de Vereadores da cidade de Palhoça, na Grande Florianópolis, durante o 2º encontro de Embaixadores da Paz e a 5ª reunião Pública pela Paz.. Com isso, ele se passou a integrar uma rede global de líderes, presente em mais de 160 países, representando a diversidade étnica, racial e religiosa da família humana e todas as disciplinas de empreendimento humano. No mundo todo, somam mais de 50 mil indivíduos, entre diplomatas, clérigos, líderes civis e atuais e ex-chefes de Estado, e, no Brasil, são cerca de 2.500 Embaixadores da Paz.

O título, segundo ele, tem relação direta com sua participação no associativismo e no cooperativismo brasileiro e é fruto “de muito trabalho e realizações concretas, para ajudar a melhorar a vida das pessoas e cooperar na construção de um mundo melhor. Fui indicado por ter iniciado esses trabalhos aos 21 anos de idade, como sócio-fundador de uma Associação Comunitária Rural e, dois anos mais tarde, como sócio-fundador e primeiro presidente de uma cooperativa de crédito”, comemora.

O que é um embaixador da paz, atribuições e a participação do cooperativismo na conquista são explicados por Medeiros. Confira na entrevista a seguir!

Como foi a eleição: Você se candidatou ou foi indicado?

Fui indicado de forma espontânea por um Embaixador da Paz de Santa Catarina, mais especificamente da região da Grande Florianópolis – SC, que ficou conhecendo o meu o meu trabalho, a minha história e minha formação, e entendeu que eu reunia as condições necessárias para o reconhecimento como Embaixador da Paz. Após a indicação, a UPF – Federação para a Paz Universal, Regional América do Sul, com sede em São Paulo – SP, solicitou-me currículo e síntese biográfica, dados pessoais, comprovantes da minha história e trajetória, com destaque para o meu histórico no Associativismo, Cooperativismo e Educação. Após as devidas pesquisas e análises do meu currículo, histórico e síntese biográfica, recebi aprovação sem ressalvas pela Secretaria Regional – América do Sul, e me foi concedido então o título de Embaixador da Paz.

Quais as qualificações para um Embaixador da Paz?

Embaixadores da Paz são indivíduos cujas vidas exemplificam o ideal de vivência em benefício dos outros, e que se dedicam à promoção de valores morais universais, forte vida familiar, cooperação inter-religiosa, harmonia internacional, mídia de massa responsável e o estabelecimento de uma cultura global de paz. Transcendendo barreiras raciais, nacionais e religiosas, os Embaixadores da Paz contribuem para a realização da esperança de todas as idades, por um mundo unificado de paz, onde as dimensões espirituais e materiais de todas as realidades são harmonizadas. Os Embaixadores da Paz são partes de uma rede global de líderes, presente em mais de 190 países, representando a diversidade étnica, racial e religiosa da família humana, bem como todas as disciplinas do empreendimento humano. Eles atuam inspirados por uma base comum de princípios compartilhados, e são comprometidos com a tarefa de promover a reconciliação, ultrapassando barreiras e construindo a paz. Pessoas com qualidades de liderança em sua esfera de atividade, como: religião, política, comunicação, universidade, negócios, artes, sociedade civil, etc. Afirmação da visão e dos Princípios da UPF

Quais as atribuições para um Embaixador da Paz?

Os Embaixadores da Paz são líderes de todos os campos da vida e, portanto, dedicados à construção de uma comunidade mundial de paz através da aplicação dos princípios da paz da Federação para a Paz Universal. Por isso, devem exemplificar o ideal de viver para os outros; promover valores morais universais, uma forte vida familiar, cooperação Inter-religiosa, harmonia internacional, renovação das Nações Unidas, a responsabilidade dos meios de comunicação de massa e o estabelecimento de uma cultura global de paz; transcender barreiras raciais, nacionais e religiosas; contribuir para alcançar a esperança de todas as eras, de um mundo de paz unificado, onde as dimensões espiritual e material da vida coexistam em harmonia; atua como membros dos Conselhos de Paz nacionais, regionais e global, promovendo e salvaguardando a paz mundial; e atuar na formação e na expansão de uma aliança estratégica de parcerias pró-paz com indivíduos, instituições educacionais, religiosas, políticas e empresariais, e com os meios de comunicação e os governos. A atuação está firmada nos cinco Princípios da Paz:

  1. Nós somos uma família humana criada por Deus, a realidade última; 2. As qualidades mais elevadas dos seres humanos são a espiritualidade e a natureza moral; 3. A família é a escola do amor e da paz; 4. Viver para o bem dos outros é o caminho para reconciliar as divisões da família humana; 5. A paz vem através da cooperação e através da superação das fronteiras da etnia, da religião e da nacionalidade.

Quais os benefícios de ser um Embaixador da Paz?

Além do nobre propósito e missão de vida, os Embaixadores da Paz possuem os seguintes benefícios: • Boletim Informativo eletrônico mensal; • Boletim Informativo impresso bimestral. • Convites para participar de trabalhos, atividades diversas, seminários e conferências nacionais e internacionais; • Contato com uma rede mundial de pacificadores e de organizações pró-paz; • Diploma de Embaixador da Paz.

Quantos embaixadores da paz, como você existem no mundo? E no Brasil?

A Federação para a Paz Universal (UPF) é uma aliança global de indivíduos e organizações dedicadas à construção de um mundo de eterna paz, onde cada indivíduo possa viver em liberdade, harmonia, cooperação e co-prosperidade. Os Embaixadores da Paz já somam mais de 50 mil indivíduos no mundo, entre os quais, diplomatas, clérigos, líderes civis e atuais e ex-chefes de Estado. No Brasil, são cerca de 2.500 Embaixadores da Paz pela UPF/ONU.

O que você entende que contribuiu para essa conquista?

Essa conquista é fruto de uma vida dedicada ao Associativismo e Cooperativismo, à cooperação, ao bem coletivo. É resultado de muito trabalho e realizações concretas, para ajudar a melhorar a vida das pessoas e cooperar na construção de um mundo melhor. Fui indicado para receber esse título, pelo trabalho de mais de duas décadas, no sentido de unir pessoas em torno de objetivos comuns, em prol do bem coletivo, das pessoas. Por ter iniciado esses trabalhos aos 21 anos de idade, já atuando como Sócio Fundador de uma Associação Comunitária Rural, e dois anos mais tarde (aos 23 anos de idade) já estar atuando como Sócio Fundador e primeiro Presidente de uma Cooperativa de Crédito.

Também por ter deixado, juntamente com os outros Sócios Fundadores da Cooperativa de Crédito, nossos bens (terrenos rurais) hipotecados em um banco de um cidade próxima, para garantir o primeiro repasse de recursos para os agricultores associados. E também por realizar todo esse trabalho em prol do bem das pessoas, sem remuneração, sem retorno financeiro, por amor a uma causa, pelo espírito legítimo de cooperação.

Pesou positivamente também, o fato de eu ter saído nascido e crescido na área rural de um pequeno município do interior de Santa Catarina (Município de São José do Cerrito – SC, Comunidade Rural denominada “Santa Catarina”, distante 32km da cidade), em uma região que na época do início das atividades de associativismo e cooperativismo, estava praticamente “abandonada”, sem estradas (ligação asfáltica), agricultura familiar descapitalizada, comércio “quebrando”, enormes dificuldades de acesso à educação, ao crédito e carente de todo tipo de incentivos. Mesmo tendo nascido e crescido em um local com pouquíssimas oportunidades de estudo e desenvolvimento, aos 10 anos de idade, saí de casa para poder estudar, fui para o Seminário Salesiano, a 200km de distância e lá adquiri o gosto pelo estudo e pela leitura.

Como iniciou sua relação com o cooperativismo?

Minha história no Cooperativismo e Associativismo teve início em 1992, quando voltei para a casa da minha mãe, no interior do pequeno município de São José do Cerrito – SC, devido ao falecimento do meu pai. Eu já havia saído de casa para estudar, aos dez anos de idade, quando fui para o Seminário, e voltei aos 21 para ajudar minha mãe, em uma pequena comunidade rural, chamada Santa Catarina.

Ao retornar para a minha comunidade rural, já cursando faculdade na época, percebi que as pessoas estavam passando por inúmeras dificuldades, principalmente porque estavam tentando resolver as coisas sozinhas, de forma individual. Foi aí que numa tarde de inverno rigoroso, em junho de 1992, convoquei uma reunião no salão da Igreja da comunidade e apresentei uma proposta, para constituirmos uma associação, para que tivéssemos maior poder de barganha, mais força; para vendermos os produtos agropecuários, e também junto aos órgãos governamentais. A ideia foi bem recebida e assim constituímos oficialmente a Associação Comunitária Rural Santa Catarina, sendo que, além de ser sócio-fundador, fui eleito o primeiro presidente da associação. essa associação é atuante até hoje, já passados 23 anos e já trouxe inúmeros benefícios para a comunidade local, como um poço artesiano, água encanada, máquinas, balanças e outros bens de uso coletivo, que atendem toda a comunidade.

Após a constituição da Associação na minha comunidade, começamos a trocar ideias com outras associações do município, no sentido de constituirmos uma cooperativa de crédito, tendo em vista as enormes dificuldades das pessoas em ter acesso ao crédito e também as altas taxas de juros das instituições financeiras tradicionais. Realizamos diversas rodadas de reuniões em todas as comunidades do município, para divulgar as ideias cooperativistas e conquistar o apoio da população. Já de início, conseguimos uma lista de assinaturas com a adesão de mais de 500 pessoas, que já foi o suficiente para darmos inicio ao processo de constituição da Cooperativa de Crédito.

Assim, em 07 de dezembro de 1994, realizamos a Assembleia Geral de Constituição (fundação), onde além de ser sócio-fundador, também fui eleito, aos 23 anos de idade, como o primeiro presidente da Cooperativa de Crédito Rural de São José do Cerrito – Credicarú (hoje, cooperativa de crédito de livre admissão de associados). A abertura de portas da Cooperativa, para atendimento ao público, foi realizada em 16 de agosto de 1995. Iniciamos com 23 sócios fundadores, com poucos recursos financeiros, numa região na época com estradas precárias, sem asfalto, agricultura familiar descapitalizada, uma série de safras agrícolas frustradas, a economia local praticamente quebrada, e ainda com o impacto do fechamento de uma agência do Banco do Brasil na cidade.

Quais desafios você destaca nesse processo?

Esse desafio demandou, não só de minha parte, mas também dos outros 22 Sócios Fundadores, muitos sacrifícios (financeiros, pessoais, familiares, etc.) e por isso considero importante que seja registrado, pois é uma história que envolve pessoas simples, sem muitos recursos, mas que realmente acreditaram e praticaram a Cooperação. Inclusive, eu os demais sócios fundadores da cooperativa de crédito (pessoas), deixamos nossos bens (terrenos rurais) hipotecados em um banco de um cidade próxima, para garantir o primeiro repasse de recursos para os agricultores associados, fato que foi fundamental, a salvação do pequeno empreendimento cooperativo que estava começando.

Durante todo o processo de constituição da associação e da cooperativa de crédito, eu trabalhei sem nenhuma remuneração, sem nenhum retorno financeiro, custeando as despesas de deslocamento, entre outras, com meus próprios recursos. Tudo isso foi feito em prol do bem das pessoas, por amor a uma causa, pelo espírito legítimo de cooperação. Assim, foi justamente em um momento de crise, de enormes dificuldades, que as pessoas enxergaram no Cooperativismo, uma solução, para promover o seu desenvolvimento econômico e social, para superar as adversidades, que não eram poucas. Esses produtores rurais persistiram, acreditaram em algo que parecia impossível, acreditaram na força da Cooperação e provaram que quando as pessoas se unem tornam-se mais fortes, pois não tínhamos muitos recursos financeiros, dinheiro; mas tínhamos o principal, a força da união e da cooperação! Hoje colhemos os resultados, como a inclusão financeira e a geração de oportunidades de desenvolvimento econômico e social para milhares de pessoas da Região Serrana de Santa Catarina. (Mais de 20 mil associados e unidades em vários municípios da Região).

Após a constituição da primeira associação e da primeira cooperativa de crédito, trabalhei também na constituição e estruturação de outras cooperativas de crédito singulares em Santa Catarina. Dessa forma, já exerci nessa área as funções de sócio-fundador, presidente, gerente geral, contador, consultor e também possuo experiência como inspetor em cooperativa central de crédito.

Fonte: Entrevista de Marcelo Correa Medeiros, concedida para a Revista MundoCoop. O conteúdo completo está disponível no link:

http://www.mundocoop.com.br/entrevista/cooperativista-e-embaixador-da-paz-mundial.html

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